Nome completo: Quiercles Severino de Santana

Nome Artístico: Quiercles Santana

Cidade de Nascimento: São Lourenço da Mata – PE

Formação:
Curso de Formação de Atores (Fundação Joaquim Nabuco – FUNDAJ)
Artes Cênicas (Universidade Federal de Pernambuco – UFPE)
Curso Regular de Ator SESC

Início das atividades: 1988

Atividades Realizadas: Ator, direção teatral, cenografia, iluminação

Imagens: Juliano da Hora
 

 

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Quiercles foi iniciado nas artes cênicas no final dos anos 70 pela avó, que morava perto de uma capela no Córrego do Jenipapo, em Casa Amarela, Recife. O local era utilizado pelo movimento eclesiástico de base para trazer espetáculos e debates aos moradores das redondezas. A iniciativa era incentivada pelo padre Reginaldo Veloso, que fez do espaço religioso um templo aos questionamentos dos cidadãos frente à repressão que rondava o país àquela época. “Mas como eu era muito pequeno, nunca deixava minha avó ficar até o final, pois as cenas com denúncias de abuso por parte dos militares me impressionava, e eu sempre caía no choro, encerrando nossas sessões prematuramente”, revela o ator, que acompanhava a avó com muita curiosidade acerca dos temas que se descortinavam.

Em 1988, pisou em cena pela primeira vez e percebeu que o palco era um local onde ele gostava de estar. Isso o incentivou a buscar cursos na área. Paralelo ao aprendizado que conquistou na Fundação Joaquim Nabuco e na Universidade Federal de Pernambuco, Quiercles também buscou conhecimento nas inúmeras oficinas, cursos de curta duração e workshops trazidos ao Recife. “Tenho certeza de que já ultrapassei a casa dos vinte cursos nesse sentido. Todos eles são válidos na carreira da gente, por que nos põem em contato com outros da área, outros textos, outras técnicas, parcerias nascem, visões são modificadas… Mas nada supera um aprofundamento que só um curso regular nos dá”, afirma Quiercles, que entre as oficinas das quais participou, destacam-se a oficina de aplicação do método de criação do diretor Peter Brook, ministrado pelo português João Mota, trazido pela Fundação Joaquim Nabuco em 2001 e a oficina O Teatro é o Outro, ministrada por Maurice Durozier, com assistência de Aline Borsari (do Théàtre du Soleil) em 2011.

 

Entre o início de sua caminhada, e o reconhecimento que que obteve nos últimos anos, Quiercles teve de pensar sua carreira em nível global: “Eu não podia pensar somente em mim mesmo, eu tinha de agir com foco no meio em que eu me encontrava. Eu digo isso por que durante os anos 90, o estado viveu uma espécie de entressafra, onde os palcos eram divididos entre o espetáculo de comédia direcionado a um público mais amplo, como fez a Trupe do Barulho, e os textos de uma ou outra companhia, como a Seraphim, que carregava consigo o teatro de pesquisa, de diálogo, de experimentação. A coisa chegou a um ponto que haviam vários profissionais que se desdobravam para participar de espetáculos diversos, em uma sessão eles estavam em uma montagem, depois tinham de correr para estar em outro palco, e eu não queria aquilo pra mim”, conta o ator.

Sentindo a necessidade de construir e pertencer a um grupo com direcionamentos mais homogêneos em termos de realização e pesquisa, Quiercles Santana uniu forças com Anamaria Sobral e Fabiana Coelho, formando em 200, o grupo Tróia de Taipa, pelo qual passaram um ano estudando a obra de Bertolt Brecht, para montar “A Exceção e a Regra”, que saiu em turnê por diversos festivais, em 2001. O grupo se desfez após a ida de Anamaria para o Rio de Janeiro, mas todos concordam que a experiência foi bastante construtiva: “Nós três éramos diretores e atores, tivemos de aprender a exercitar um pouco o desapego, a escutar opiniões divergentes, a fazer tudo que era necessário para tirar o espetáculo do papel… Foi aí que me deu vontade de me aprofundar na direção. Depois que cada um seguiu seu caminho, exerci o papel de assistente de direção para diversos espetáculos.”

 

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Entre as influências na carreira de Quiercles, está o diretor Almir rodrigues, que veio de São Paulo para o Recife em 1984, que partilha com o ator a fome por questionar e fugir do convencional nos palcos. Ambos levaram adiante o espetáculo “Pás e Picaretas” , estreado em 2005 a partir da junção dos talentos de Santana, Rodrigues e o ator Flávio Renovatto, que por sua vez, fundaram a Companhia Teatro Dzugur. O texto, de Almir, fala da história de de pai e filho que têm em comum o fato de não poderem morrer e cavar perpetuamente um buraco. A partir do momento em que objetos começam a sair do buraco, lembranças inesperadas vêm à tona. A experiência rendeu uma premiação especial à dramaturgia de Almir Rodrigues pela Apacepe, na edição 2007 do Festival Janeiro de Grandes Espetáculos.

Entre os frutos dessa sede de renovação, está a Cia. Circo Godot de Teatro, a partir da sinergia desenvolvida com os colegas Asaias Lira, Damiano Massaccesi e Andrezza Alves, que se mostram abertos ao lúdico e ao experimental, através de pesquisas extensas focadas na reconstrução da linguagem cênica.

Para Quiercles, renovação e experimentação são fatores intrínsecos à formação do ser teatral, mas que deveriam ser mais incentivados em toda a cadeia criativa. Políticas estruturadoras de ensino de teatro devem ser a chave para que a cena possa ser sustentável e reter os talentos que o estado manda para outras praças e países, além de contribuir para que o público valorize este segmento teatral como forma de observar a realidade e questioná-la, a partir do direito à sensibilidade. “Teatro é isso: Ele funciona quando toca o interior de cada um. Por isso ele deve ser encarado de forma séria, com convicção, com paixão. Só assim, ele cumpre o seu papel”, conclui Quiercles.

 

 

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