A força que nunca seca

Postado em nov 18, 2014 in Notícias
A força que nunca seca
Nova turma da Fiandeiros mostra que o teatro é uma sementeira com uma flora diversa e dinâmica. Espetáculo de conclusão de curso revela talentos com grande potencial.

Neste último final de semana, o aconchegante sobrado da Rua da Matriz, que abriga o Espaço Fiandeiros, no centro do Recife, confirmou a força renovadora dos palcos. “O Auto da Compadecida” foi trazida ao palco com os alunos do curso de teatro promovido pelo grupo, como a prova de fogo dos meses de trabalho árduo e aprendizado constante. Com direção de Daniela Travassos, o espetáculo trouxe ao público uma bela homenagem ao escritor Ariano Suassuna, na forma de interpretações únicas e espontâneas, sem deixar de ser fiel às nuances da obra.

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A direção precisa de Daniela Travassos foi fundamental para garantir a dinamicidade necessária ao tom farsesco da peça de Ariano. Com a casa lotada, a responsabilidade de trazer à vida esse clássico da literatura armorial ganhou um peso ainda maior, pelo fato da obra ter um lugar cativo na memória afetiva do povo pernambucano, seja por outras montagens, pelo livro, televisão e cinema. Com tantas referências, Daniela e seus pupilos foram felizes ao investir numa visão própria de cada ator ao personagem que interpretava.

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Ana Carolina Fragoso e Nina Barros, que interpretam a mulher do padeiro, conseguiram transitar entre a intensidade dramática e a irreverência cômica, indo da tristeza pela perda do cachorro de estimação ao humor corrosivo da mulher que se impõe perante um marido passivo. Pela primeira interpretação, mostram segurança e um belo timing diante do público. Raffa Rodrigues, que encarna o temido cangaceiro que toma Taperoá de assalto, surpreende por encarnar um Severino de Aracaju diferente dos demais tão enraizados no imaginário popular. Diferente, mas não destoante: Embora o espectador saiba que está diante de um cangaceiro descrito pela visão de Ariano, Rodrigues imprimiu suas próprias tintas no falar, no andar e no raciocínio rápido para aproveitar a generosidade de seus colegas de palco.

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Amanda Essy, como o diabo, também traz suas próprias cores ao se movimentar e utilizar um tom de voz que faz do seu tinhoso uma criatura mesquinha e inconformada por ter de bater de frente com os argumentos da Compadecida. O jovem Rafael Alkalai também se destaca como o palhaço narrador, que entra e sai da trama para guiar o público, através de uma bela dicção que remete aos contadores de história e um gestual que lembra os bobos da corte da cultura medieval. Defendendo assim seu personagem, Alkalai mostra que de bobos os contadores não têm nada, e assim como o palhaço de Ariano, entram e saem das cortes, observando a montanha-russa social enquanto fazem os outros sorrir.

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“O Auto da Compadecida”, pelos alunos do Curso de Iniciação ao Teatro da Escola Fiandeiros, cumpriu dois desafios com louvor: Fazer jus à graça e ao vigor de Ariano, e apresentar aos palcos pernambucanos novos talentos de grande potencial.

 

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Fotos de Juliano da Hora

 

 

Ficha Técnica:

Elenco:

Aline Souza, Amanda Essy, Amanda Mirllys, Ana Carolina, Ana Catharina, Bruno dias, Debora Marinho, Gabriel Melo, Helena Tavares, Icaro Tavares, Isadora Suzani, Jessyca Sena, Marcos Lemos, Maria Lins, Mayara Vicelli, Rafael Alkalai, Rafaela Amancio, Raffa Rodrigues, Rebeca Montezuma, Ricardo Scholz, Rute Alves, Thalita Leiming

Direção: Daniela Travassos
Figurinos: Manuel Carlos
Sonoplastia: André Filho
Iluminação: Gabriel Santos
Secretaria: Rebeca Rebecca Mignac
Assistência de Produção: Renata Teles
Professora de Voz: Kéllia Kellia Phayza
Professor de Corpo: Charly Jadson
Estagiário de Teatro: Adilson Di Carvalho ( UFPE)
Fotografia: Daniela Travassos
Realização: Escola de Teatro Fiandeiros.

 

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