A história é delas, e o festival também!

Postado em out 24, 2014 in Espetáculos em Cartaz, Notícias
A história é delas, e o festival também!
O 24º FETEAG, o Festival de Teatro do Agreste, realizado em Caruaru, entra em sua etapa final neste final de semana, marcado por apresentações concorridas e um retorno positivo de seu público. O tema “Ao Olhar Delas: A Poética Feminina em Cena” veio num momento mais que oportuno e urgente, quando a posição da mulher na sociedade encontra-se num patamar de discussão nunca antes alcançado no Brasil. Através da sensibilidade das companhias participantes, os espectadores puderam sorrir, refletir, chorar e questionar certas verdades e paradigmas.

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Entre os temas abordados, esteve um bastante familiar entre o público. Como saber o que vai resultar dos caminhos que escolhemos? O poder que cada um possui para avaliar sua trajetória e mudar seu destino foi o mote de “A Dona da História”, espetáculo capitaneado por Lívia Falcão e Olga Ferrário, dirigidas por Duda Maia. A peça, apresentada no Teatro Rui Limeira Rosal, no SESC Caruaru, atraiu um dos maiores públicos do festival, que vibrou com o cotidiano pintado com tons de delicadeza, pelo texto de João Falcão.

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A história mostra uma mulher que dialoga com o seu passado em meio a uma avalanche de dúvidas encabeçadas pelo termo “se”. Se ela não tivesse casado com o amor de sua vida? Se ela tivesse escolhido uma carreira diferente? Se em vez de um baile ela tivesse ido ao teatro? Será que ela alcançaria a vida inesquecível que sempre idealizou? Questões universais que todo mundo já encarou alguma vez na vida, seja olhando o retrovisor ou mirando adiante com uma luneta.

No papel da protagonista, estão as pernambucanas Lívia Falcão e Olga Ferrário, mãe e filha fora dos palcos, o que dá um sabor todo especial à encenação: seja pela personagem que interpretam, seja pelo fato de serem uma parte da outra, passado, presente e futuro que se fundem, o encontro termina aproximando ainda mais o espectador de uma reflexão sobre o seu próprio relógio da vida, suas escolhas, erros e acertos.

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Falando em acertos, além da ótima dinâmica entre as atrizes, o espetáculo possui outras pérolas que chamarão a atenção dos mais observadores. O figurino de Fabiana Pirro e a iluminação de Luciana Raposo também funcionam como coadjuvantes importantes para situar as personagens na narrativa e contribuir para o ritmo poético e leve estabelecido pelas atrizes que flanam e dançam pelo palco. Enquanto a versão cinematográfica dirigida por Daniel Filho em 2004 trazia outros rostos e cenários para contar a história, a montagem da Duas Companhias se basta em Lívia e Olga, seus movimentos, suas cores e luzes, que pontuam o tempo e o espaço da personagem, guiando o espectador numa viagem íntima rumo aos seus próprios medos, anseios e desafios.

Esta montagem de “A Dona da História” marca os dez anos de atividades da Duas Companhias, e estreou no Recife em março deste ano, com apoio do Funcultura. O texto foi levado pela primeira vez aos palcos com as atrizes Marieta Severo e Andréa Beltrão, em 1998, conquistando o Prêmio Sharp de Melhor Espetáculo do mesmo ano.

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Texto: Juliano da Hora

Fotos de Thalita Rodrigues e Danilo Leal

 

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